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Brasil na 60ª Bienal de Artes de Veneza: celebrando a resistência indígena

Com o Pavilhão Hãhãwpuá, o Brasil destaca a resistência e o ressurgimento dos povos originários, celebrando sua arte e luta

Por Chrys Hadrian
Atualizado em 27 fev 2024, 17h06 - Publicado em 27 fev 2024, 12h00

O Pavilhão Hãhãwpuá, como é referido o Pavilhão do Brasil nesta 60ª Bienal de Veneza, destaca-se pela exposição intitulada “Ka’a Pûera: Nós somos pássaros que andam“, que tem curadoria por Arissana Pataxó, Denilson Baniwa e Gustavo Caboco Wapichana. Esta exposição, cujo nome faz referência às áreas de mata em regeneração, destaca a produção artística e a resistência dos povos originários do Brasil.

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Glicéria Tupinambá convoca os mantos de seu povo para formar a instalação Okará Assojaba.
Glicéria Tupinambá (à esquerda) é a autora da obra “Manto tupinambá” (à direita), que celebra os mantos utilizados pelo seu povo. (Cortesia da artista/CASACOR)

A mostra destaca a força e a resiliência dos povos indígenas brasileiros, especialmente aqueles das regiões litorâneas, primeiros a serem deslocados em seu próprio território. Através de obras como “Okará Assojaba” de Glicéria Tupinambá, que narra a história dos mantos Tupinambá e sua luta por reconhecimento e repatriação, o pavilhão expõe a adaptação e a resistência frente às mudanças climáticas e à marginalização.

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Olinda Tupinambá apresenta
Olinda Tupinambá(à esquerda) apresenta “Equilíbrio” (à direita), uma videoinstalação que amplia a voz de Kaapora, uma entidade espiritual que vigia nossa relação com o planeta . (Cortesia da artista/CASACOR)

O título da exposição, além de evocar o renascimento das florestas após o desmatamento, também remete à capacidade de camuflagem e sobrevivência dos povos originários. Este renascimento cultural é ilustrado pela participação de artistas como Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó, que exploram temas como a relação entre humanidade e natureza, a vigilância espiritual de Kaapora (que em Tupi significa “mata bonita”) e a luta pela preservação dos territórios indígenas.

Ziel Karapotó confronta processos coloniais em sua obra
Ziel Karapotó (à esquerda) confronta processos coloniais em sua obra “Cardume” (à direita), uma instalação que combina uma rede de tarrafa, maracás de cabaça e réplicas de projéteis balísticos, acompanhada por uma paisagem sonora de rios e cantos tradicionais do seu povo. (Cortesia do artista/CASACOR)

A Bienal de Arte de Veneza deste ano, historicamente marcada pela escolha do primeiro curador sul-americano, Adriano Pedrosa, sob o tema “Estrangeiros em Todos os Lugares“, oferece um palco para discussões sobre desterritorialização, exclusão e violações de direitos. O Pavilhão do Brasil, ao dar voz a esses povos, destaca-se como um dos pontos altos do evento, celebrando a história e a resiliência daqueles que resistiram e protegeram os biomas por séculos.

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Local: Pavilhão do Brasil (Pavilhão Hãhãwpuá)
Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália
Data: 20 de abril a 24 de novembro de 2024

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